sábado, 29 de outubro de 2011

Viagem imutável

    Sem toda parafernalha ou qualquer maquinário, a tecnologia do imaginário se mostra eficaz,
e atravessando as linhas entre o que se fez e o que se faz, descobre que nada será feito
  A oração, o objeto e o sujeito, estão em desalinho e por mais perfeito que seja o pretério, não se faz tangível

    Pessoas, desastres, acontecimentos, mentes, delinquentes, tormentos, tem lugar pra tudo no banco de tras
  Um senhor cego me contou, atravessando fora da faixa na rua congestionada, que mudaram as doenças e modas, nem bengalas nem cadeiras de rodas. Tudo o que se veste é uma segunda pele, as pragas afetam apenas o interior. Como armadura, o exterior não se fere, mas fede, e isso não há perfume que altere

    Percorrendo o tempo-espaço como o veneno que percorre as veias, tiro poeiras e teias, leio manuscritos e tomo remédios prescritos que me colocam pra dormir

Acordo sabendo de tudo e não entendendo nada, as informações embaralham a cabeça como palavra cruzada, e quando você completa uma, outra está errada.

Percebo que o tempo passou e as equações perderam de vez seu espaço para as contas de vezes,
Não existe nem mãe nem pai, como cachorros, todos são iguais, e os amores eternos vão durando meses

domingo, 24 de julho de 2011

Nós sem pontas

Se você cai no mar, sem saber nadar
aprende na marra ou se vê com amarras?
o mais comum é a maré te levar
O conflito interno faz do oceano um figurante
parasita é a incessante busca pelo erro
te afoga no próprio desespero
a explosão de sentimentos do momento, joga pensamentos pro arrebento,
com porqueS e mais porqueS, não se tem entendimento,
é você contra você e não existe argumento,
terminado tal evento, a mente te joga ao relento.
vai ver as voltas da terra deixam a gente tonto
impossivel se manter num ponto, sem cambalear
engraçado aqueles que ousam tentar, se convencem do que querem
mas          é uma batalha tremenda estudar a nós mesmos

porque se nós somos nós, de onde vem essa corda?

onde foi amarrada que ninguem encontra?

porque o primeiro nó está lá e não me conta?

Acorda! nós somos mesmo é nós sem pontas!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Escada dos Superficiais

O fruto proibido é o desconhecido
Podemons chegar até onde os olhos podem alcançar? e o que fazer ao estar lá?
são modos, etiqueta, penteados, medos deixados de lado,
guardados num baú bem escondido onde a simplicidade faz abrigo e a chave foi jogada fora
e o tesouro invisível é gasto com vícios e não dá esmola
o caráter dá lugar à caracterização
De traje a rigor e semblante invejável
querem saber o que é falso e o que é natural
onde é natural ser falso
bons perfumes passam pra lá e pra cá
mas tudo se faz inodoro para narizes altos como os saltos que pisam no asfalto
com rosto de enterro, olhando apenas UMA imagem, brincam de jogo dos sete erros.
Antes do nome, procura o sobrenome, com fome de status
e através de contatos e boatos, se faz forte candidato à chegar no topo
porém, nessa grande escada, cada degrau é um corpo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vende-se Grátis

Palavras vem e vão, algumas na contramão,
sem que haja um fiscal de conversação.
Quando tudo tumutúa e a ofensa é mútua,
chega em casa a multa, sem juízo nem juíz,
porque a verdade só é absoluta pra quem diz,
e antes do "você fez" nunca se vê "o que fiz".
Línguas deixam de laçar beijos para travar batalhas,
mas a fonética falha como um tiro que sai pela culatra,
sempre se corta a língua mais fraca.
Quando o verde pula logo pra bagaço,
se perde todo o compasso,
se desiste por cansaço
ou se parte em pedaços.
O mandante e o submisso
no inconstante compromisso
omisso pelo falso sorriso que se cala,
levando consigo uma mala,
viajantes aguardando seu regresso
com um par de ingressos pro insucesso.
Toda lataria pode ir ao chão, mas fica intacta a caixa preta de um coração.
Se permita entender, cortar o bem pela raíz o impede de florescer,
 nascer, crescer, prevalecer, 
fortalecendo o portador, que não porta dor alguma
e é transmissor de ânimo,
que é o próprio amor em pseudonimo,
tudo que há de bom se faz sinônimo.
Mandando encômodos pelo ralo da mente,
se faça contente sem intervalo,
o próximo anseia cuidados,
amor não vem em comprimidos e não será prescrito,
pois só é nocivo em seu descaso.
Me pergunto,
por acaso o ferido pode ser felizardo assumindo o cargo no caso?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Azul

Meu caminho errante provou seu calmante, remédio cicatrizante, com distinto semblante: olhar penetrante, sorriso adoçante.. alguma coisa aconteceria naquele instante!
  
Me acorda, me belisca, tira minha preguiça enquanto me beija e mordisca, com as unhas me arranha me risca, chega a sair faísca
  
Doce atrito de linguas em conflito, com o corpo me agito, fui ganho, admito, amor no qual acredito e aos quatro cantos grito: Achei o amor infinito!
  
A ausência de minha carência me trouxe ciência do que era essência, mergulhamos em ondas de mesma frequência, embora a convivência tenha suas turbulências, absorvo como experiência, amor é causa e felicidade consequência.
  
Sou sujeito desajeito, com minha lista de defeitos, até me endireito, tento ser perfeito para dar um jeito de habitar o lado esquerdo do teu peito
  
Me fez maduro, derrubando muros, me tirou de apuros, onde me aventuro sempre inseguro, me mostrou quem sou, ja não me desfiguro, e todo meu futuro é com você, eu juro! Quando nem eu mesmo me aturo, lá vem ela com sentimentos puros, transformando o que é escuro num imenso Azul.

pra você, Áurea que me ilumina :)

sábado, 27 de novembro de 2010

Escorregador

Sorriso, riso, gargalhada de tudo e de nada
não somos apenas sacos de pancadas
A vida é ringue, mas não choramingue
volte aos tempos da pedrinha no estilingue
quando era piscina de bolinhas e fubeca
cada pulo na amarelinha
cada tapa na peteca
Vai moldando sua própria verdade
com sua sempre dura curiosidade
mentindo para a mole realidade
Enquanto seguem as regras à risca,
la fora chuvisca
e só quero saber porque o vagalume pisca
Sem saber dos gafanhotos ou dos louva-a-Deus
com tantos outros insetos que vejo em museus
Vi e vejo a tal evolucão da espécie, que morre e cresce
e enquanto caminha, se esquece
Nasce enquanto dorme,
onde não existem vergonhas e nem bebês trazidos por cegonhas
encontro marcado com o surreal, todo dia termina sem final
E quando o sol bate na cara, é ressaca que sinto
como se tivesse me afogado em absinto
"quantos minutos ainda vai ficar nessa cama?"
"meu Deus, me dá pelo menos cinco!"
Cinco minutos dura minha música favorita
dentro do meu casco feito eremita,
ouço apenas ela enquanto o mundo grita
Vou pela calçada, tomando distância
pra não ser atropelado por uma ambulância
Vi pessoas com pulseirinhas escrito 'esperança'
eram bacanas, reluziam na pista de dança
mas os dizeres não as causavam mudança
Tem lá quem ainda apela, que diz que a vida é bela
mas odeia quando o Plantão interrompe sua novela